quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Me cansei de você se cansar

Um dia desses enquanto eu assistia ao pôr-do-sol, uma garota se aproximou e disse: “Por que você vem a essa janela todos os dias assistir o sol se pondo sempre do mesmo jeito?” Eu, sem saber o que responder, apenas tive certeza naquele instante de que havia algo de diferente na forma que meu coração processava certas sutilezas. E assim, eu cresci. Assim, o tempo se passou. Assim, eu assisti mais outros infinitos pores-do-sol sem conseguir enxergar um deles sequer como “sempre do mesmo jeito”. Assim, eu cresci sabendo que em um relacionamento os dias serão como o pôr-do-sol: similares, porém nunca os mesmos.
Mas no cotidiano amoroso atual, quem mais sabe disso? Quem mais consegue admirar o amor todos os dias sem a necessidade de um constante brilho novo? Quem mais consegue se contentar; saber esperar; e amar o que o dia te oferece? Existe um desespero pela necessidade de atualizações dentro do amor que acaba tornando-o inviável, invivível.
Assim, o argumento acaba se tornando sempre o mesmo: o cansaço. As pessoas se cansam dos beijos, dos abraços, das transas. As pessoas se cansam da estabilidade de andar de mãos dadas, de seguir em uma única direção. Se cansam de sonhar, de planejar, de conquistar — no momento certo — algo novo para a vida do casal.  E por isso, o amor de verdade é trocado — em forma de uma moeda injusta — por uma vida fria, vivida com gente que pouco se importa, com companhias que não duram mais do que 5 minutos na boca, enchendo cada vez mais os copos, esvaziando cada vez mais o coração.
O fato é que não somos de ferro e iremos sim nos cansar. Nos cansamos do trabalho, dos estudos, da rotina em si, por que não nos cansaríamos do amor? Porém, todas as coisas que fazem um pôr-do-sol nunca ser igual ao outro, deveriam também ser as mesmas que mantivessem as mãos dadas pelo caminho da vida a dois. Se o coração não souber se contentar com o mesmo sorriso largo no rosto, com o mesmo abraço que protege corpo, com a mesma transa que agrada a carne dia após dia, o amor perde o propósito de existir, dando lugar a similares estações de ônibus, que se desembarca a fim de saciar vontades em um curto período de estadia.
Mas eu continuarei aqui, sabendo apreciar o céu, o sol, e tudo o que nunca será igual, mesmo que parecido. Permanecerei doce, mesmo com tanto amor amargo de quem me confundiu com uma dessas estações e se assustou quando descobriu que, na verdade, eu era casa afim de transformá-la em lar.


segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Balanço do ano que se passou.



Fazendo o balanço do ano de 2015, foi um ano bom.
Aprendi a “fazer” e a “ter” coisas que não sabia.
Ter paciência, mesmo que fosse difícil de controlar a indignação (algumas vezes não consegui).
Compreendi que nem tudo que pensamos é aquilo mesmo, pode ser pior.
Vi que muitas coisas não passam apenas em novelas, mas acontecem na vida real, mas elas podem acabar diferente, o final pode não ser feliz.
Coisas inimagináveis acontecem e são mais previsíveis do que eu pensava.
Fazer as coisas certas nos faz bem, nos deixam bem, mas não é todo mundo que vai entender suas atitudes.
Uma frase clichê, mas que é verdade e que eu pude presenciar que é verdade, “As pessoas querem te ver bem, mas nunca melhor que elas.”
Enfrentei a raiva e a ira, e constatei que quando estamos afetados por elas nunca fizemos o certo, alias poderemos nos arrepender pra sempre do que fizemos.
Vi que a saudade das coisas simples, é a mais dolorida.
A injustiça me tira do sério, me deixa perturbado, mesmo que às vezes eu possa ser injusto também, mas isso é uma coisa que sempre vai me incomodar.
Não importa o quanto a gente faça de “bom” pra uma pessoa, ela nunca vai dar o valor que a gente acha que merece pelas atitudes, alias provavelmente nem se lembrem do que fizemos.
As pessoas muitas vezes tinham que aprender a conversar, o valor e a força da palavra é muito importante e pode aliviar um coração. Mas também palavras são como laminas e podem deixar cicatrizes que nunca vão ser curadas.
E sim, tenho vergonha de algumas coisas, que ficaram na minha mente sempre martelando em momentos inoportunos, relembrando algumas cenas que queria nunca ter passado.
Então, passando por isso desejo um ótimo 2016 cheio de coisas boas mas nunca esquecendo, que o ano é novo, mas se você for o mesmo, nada vai mudar.


MM

domingo, 27 de dezembro de 2015

A injustiça me tira do sério.


A injustiça me faz
viajar pelos sentimentos vis
que a minha mente traz
misto de raiva e dor
pena e rancor
ferve meu corpo, trinco os dentes
fico torpe e até doente.
Ilhado por pensamentos pequenos
tirando do baú todo o feno
amargando todo o tempo
mascando cada palavra
que com certeza o vento
não apaga
e meu peito se escalavra.
Insisto na lógica
volto a ser metódico
mas as respostas são ausentes
para atitudes surpreendentes
que calam fundo na alma
busco razões para ter calma
mas todo o esforço é em vão
na minha cabeça martela
passa o filme na tela
perco toda a noção.
Só fico mais maluco
se recai sobre um dos meus
desço do salto, fico puto
solto a lingua
falo alto
digo o que penso
falo sem parar
e só volto a ser eu
se o injusto se retratar.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Carta do Bebe para o Papai

Querido papai! Eu sou o(a) seu(sua) filhinho(a), pedi para a mamãe te entregar esta cartinha, pois queria eu mesmo dar a notícia da minha chegada. Estou muito contente em poder fazer parte desta família, que sei estar me esperando com muito amor, as condições podem não ser as melhores, mas dependendo de vocês nada irá me faltar, principalmente amor.
Estou aqui, no aconchego do ventre da minha mãe, que ainda não pode me sentir mexer, mas já sente um enorme amor por mim e quando o senhor souber que eu existo começará a me amar também.

Não sei dizer se sou menino ou menina, pois não estou completamente desenvolvido(a), estou no comecinho da minha existência.
Pai quero te pedir um favor, cá para nós, que a mamãe não me ouça, cuida da alimentação dela, não deixa ela comer muita porcaria e principalmente faça ela comer beterraba, sei que ela não gosta, mas por mim fará este sacrifício. Hah, já ia me esquecendo, não briga com ela caso estiver dormindo muito, o senhor sabe que já é a natureza dela e ainda mais agora comigo aqui dentro utilizando sua energia.

Desculpe se ela ficar meio irritada às vezes ou mal humorada, é culpa dos hormônios que estão sendo liberados no organismo dela, mas se estiver muito insuportável dá uma chamadinha, que eu deixo, rsrsrs, ela precisa saber que o senhor também precisa de atenção e carinho, não só eu, assim como ela também vai precisar muito do seu amor.
Pai, daqui a uns meses eu poderei sentí-la, ouvir seu coração, o som da sua voz e o toque de sua mão, mas quero poder sentir o senhor também, quando eu ficar maiorzinho vou poder identificar a tua voz e quando me tocar vou “chutar” só para veres o quanto sou forte e sentirás orgulho de mim.

Deus me escolheu para ficar entre vocês, e quando Ele me falou isto, fiquei muito feliz, Deus me disse também que foi Ele quem uniu vocês dois, minha mãe te ama muito e Deus decidiu então realizar o sonho dela, que é ter um filho seu, e agora estou aqui! Não poderia estar mais feliz, pois a minha chegada está repleta de amor!
Bom pai vou me despedir aqui, mas se sentires saudades minhas coloque o ouvido na barriga da mamãe que irá me ouvir, e estaremos bem pertinho um do outro.

Te amo papai, em breve nos veremos!

sábado, 10 de outubro de 2015

Procrastinação: se você sempre adia as coisas importantes, é hora de ler este artigo. Ou vai deixar para amanhã?

Muitas pessoas não conseguem usar bem o seu tempo para fazer rapidamente o que tem de ser feito. Adiam, deixam para “amanhã” aquele relatório cujo prazo terminará em poucos dias. Em vez de priorizar as tarefas importantes vão ler os posts do Facebook, limpar o armário, lavar o carro ou organizar os e-mails, até que a tarefa se transforme em urgente, gerando estresse e ansiedade, além da correria para terminar. Conhece alguém assim?

Outros tomam resoluções fantásticas para o Ano Novo como iniciar a academia, o curso de inglês, mudar radicalmente a alimentação. Ou nem começam ou a nova atitude dura somente poucos dias ou semanas, mesmo sabendo o quão importante seria manter este novo comportamento, e isto gera culpa e arrependimento. Certamente conhecemos pessoas que agem deste modo, mas, por que o fazem?

Quando este comportamento é repetitivo é a chamada PROCRASTINAÇÃO, um grande mal que atinge um enorme número de indivíduos e pode prejudicar sua carreira, produtividade, relacionamentos afetivos e até mesmo a sua saúde.

Procrastinação é definida como um ‘atraso voluntário de uma ação apesar das visíveis e negativas consequências futuras’. É optar por prazeres imediatos ao invés de ter uma visão e ação de longo prazo.
Não é o caso das exceções que aparecem em nossas vidas eventualmente e nos fazem mudar os planos, como por exemplo uma visita inesperada que nos faz adiar voluntariamente por esta razão o término de um relatório, nos diz o Dr. Timothy Pychyl, psicólogo professor da Carleton University, em Ottawa, Canadá, grande pesquisador neste assunto.

O procrastinador SABE que deveria estar fazendo sua tarefa adiada, e se sente mal por isto, e às vezes faz “compensações morais” para diminuir sua culpa, como por exemplo ir à academia em vez de terminar sua tarefa, o que alivia temporariamente sua culpa.

Psicólogos descobriram que procrastinadores crônicos frequentemente tem concepções equivocadas do por que agem deste modo. Muitos acreditam que não podem começar porque querem fazer a tarefa perfeitamente e em condições ideais.

Mas os estudos mostram que a procrastinação não tem a ver com perfeccionismo e sim com impulsividade, tendência a agir imediatamente nas urgências e também tem a ver com estratégias emocionais inconscientes para fugir de situações estressantes. É o que nos conta o Dr. Piers Steel, professor de comportamento organizacional da Universidade de Calgary.

Pessoas impulsivas se bloqueiam ao sentir ansiedade ou lidar com fortes emoções.
Uma empresa de Hong Kong chamada Saent, com a supervisão do Dr. Steel está desenvolvendo um software que atrasa a abertura de sites como o Facebook por 15 segundos ou mais e também cria a necessidade de uma senha para navegar na web, pois muitas vezes, estes pequenos “dificultadores” são tudo o que é necessário para fazer os procrastinadores desistirem de procurar uma distração imediata.

Outras pessoas alegam deixar as coisas para o último minuto porque funcionam melhor sob estresse ou sob pressão, mas os verdadeiros procrastinadores se estressam pelo adiamento. Além disto é bastante questionável se a qualidade de um trabalho feito correndo na última hora é melhor do que aquele feito com prazo e mais planejamento.

Os efeitos psicológicos da procrastinação já são bem conhecidos: aumentam os índices de depressão e ansiedade e empobrecem o bem estar, ou seja, diminuem nossa saúde psíquica.

Quanto à nossa saúde física, a psicóloga Dra. Fuschia Sirois, professora da Universidade de Sheffield, na Inglaterra, estuda os efeitos da procrastinação no modo como lidamos com as doenças crônicas e as suas consequências.

Em recente artigo ela descobriu que os procrastinadores que sofrem de hipertensão arterial e doenças cardiovasculares eram menos propensos a se engajarem em estratégias para lidar com suas doenças crônicas, como por exemplo encontrar um sentido para agir, e fazer atividades físicas com amigos. Ao invés, tinham comportamentos mal adaptativos como evitar lidar com a doença ou culparem-se por ela e mesmo tentar esquecê-la (varrendo-a para baixo do tapete).

Também os procrastinadores parecem mais incapazes de ver claramente no futuro as consequências de suas ações e comportamentos do que os não procrastinadores, um fenômeno chamado de “Miopia Temporal”. Sua visão de futuro é mais abstrata e impessoal, ou seja, são menos conectados emocionalmente com sua imagem de futuro. Isto ocorre principalmente por altos níveis de estresse que desviam o foco para objetivos mais imediatos (prazeres) do que mais distantes (escolha saudáveis para cuidar e manter a saúde).
Uma interessante pesquisa mostrou que o modo ‘como’ pensamos em uma tarefa faz com que a adiemos ou não.

Pesquisadores da Universidade Konstanz na Alemanha liderados pelo Dr. Sean McCrea entregaram questionários a estudantes, que receberiam um valor em dinheiro para responder e entrega-los por e-mail no prazo de até três semanas.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

A incrível geração de mulheres que foi criada para ser tudo o que um homem não quer

Às vezes me flagro imaginando um homem hipotético que descreva assim a mulher dos seus sonhos:
“Ela tem que trabalhar e estudar muito, ter uma caixa de e-mails sempre lotada. Os pés devem ter calos e bolhas porque ela anda muito com sapatos de salto, pra lá e pra cá.
Ela deve ser independente e fazer o que ela bem entende com o próprio salário: comprar uma bolsa cara, doar para um projeto social, fazer uma viagem sozinha pelo leste europeu. Precisa dirigir bem e entender de imposto de renda.
Cozinhar? Não precisa! Tem um certo charme em errar até no arroz. Não precisa ser sarada, porque não dá tempo de fazer tudo o que ela faz e malhar.
Mas acima de tudo: ela tem que ser segura de si e não querer depender de mim, nem de ninguém.”
Pois é. Ainda não ouvi esse discurso de nenhum homem. Nem mesmo parte dele. Vai ver que é por isso que estou solteira aqui, na luta.
O fato é que eu venho pensando nisso. Na incrível dissonância entre a criação que nós, meninas e jovens mulheres, recebemos e a expectativa da maioria dos meninos, jovens homens,  homens e velhos homens.
O que nossos pais esperam de nós? O que nós esperamos de nós? E o que eles esperam de nós?
Somos a geração que foi criada para ganhar o mundo. Incentivadas a estudar, trabalhar, viajar e, acima de tudo, construir a nossa independência. Os poucos bolos que fiz na vida nunca fizeram os olhos da minha mãe brilhar como as provas com notas 10. Os dias em que me arrumei de forma impecável para sair nunca estamparam no rosto do meu pai um sorriso orgulhoso como o que ele deu quando entrei no mestrado. Quando resolvi fazer um breve curso de noções de gastronomia meus pais acharam bacana. Mas quando resolvi fazer um breve curso de língua e civilização francesa na Sorbonne eles inflaram o peito como pombos.
Não tivemos aula de corte e costura. Não aprendemos a rechear um lagarto. Não nos chamaram pra trocar fralda de um priminho. Não nos explicaram a diferença entre alvejante e água sanitária. Exatamente como aconteceu com os meninos da nossa geração.
Mas nos ensinaram esportes. Nos fizeram aprender inglês. Aprender a dirigir. Aprender a construir um bom currículo. A trabalhar sem medo e a investir nosso dinheiro.  Exatamente como aconteceu com os meninos da nossa geração.
Mas, escuta, alguém  lembrou de avisar os tais meninos que nós seríamos assim? Que nós disputaríamos as vagas de emprego com eles? Que nós iríamos querer jantar fora, ao invés de preparar o jantar? Que nós iríamos gostar de cerveja, whisky, futebol e UFC? Que a gente não ia ter saco pra ficar dando muita satisfação? Que nós seríamos criadas para encontrar a felicidade na liberdade e o pavor na submissão?
Aí, a gente, com nossa camisa social que amassou no fim do dia, nossa bolsa pesada, celular apitando os 26 novos e-mails, amigas nos esperando para jantar, carro sem lavar, 4 reuniões marcadas para amanhã, se pergunta “que raio de cara vai me querer?”.
“Talvez se eu fosse mais delicada… Não falasse palavrão. Não tivesse subordinados. Não dirigisse sozinha à noite sem medo. Talvez se eu aparentasse fragilidade. Talvez se dissesse que não me importo em lavar cuecas. Talvez…”
Mas não. Essas não somos nós. Nós queremos um companheiro, lado a lado, de igual pra igual. Muitas de nós sonham com filhos. Mas não só com eles. Nós queremos fazer um risoto. Mas vamos querer morrer se ganharmos um liquidificador de aniversário. Nós queremos contar como foi nosso dia. Mas não vamos admitir que alguém questione nossa rotina.
O fato é: quem foi educado para nos querer? Quem é seguro o bastante para amar uma mulher que voa? Quem está disposto a nos fazer querer pousar ao seu lado no fim do dia? Quem entende que deitar no seu peito é nossa forma de pedir colo? E que às vezes nós vamos precisar do seu colo e às vezes só vamos querer companhia pra um vinho? Que somos a geração da parceria e não da dependência?
E não estou aqui, num discurso inflamado, culpando os homens. Não. A culpa não é exatamente deles. É da sociedade como um todo. Da criação equivocada. Da imagem que ainda é vendida da mulher. Dos pais que criam filhas para o mundo, mas querem noras que vivam em função da família.
No fim das contas a gente não é nada do que o inconsciente coletivo espera de uma mulher. E o melhor: nem queremos ser. Que fique claro, nós não vamos andar para trás. Então vai ser essa mentalidade que vai ter que andar para frente. Nós já nos abrimos pra ganhar o mundo. Agora é o mundo tem que se virar pra ganhar a gente de volta.
__________
Escrito por Ruth Manus
Publicado em http://blogs.estadao.com.br/ruth-manus

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Um brinde as mulheres diretas.

Ela entra sem bater portas e vai direto ao ponto: ou isso ou aquilo. Numa prova de múltipla escolha com ela você não teria opção nenhuma, teria que rebolar um pouco pra dar à ela uma boa justificativa, na lata. Enquanto você fica em cima do muro, ela dispensa os meio-termos: tem pavor de gente indecisa, de se esconder atrás de motivos, de venerar os rodeios. Se você é labirinto, ela não brinca. Aprendeu que não vale a pena bancar Teseu e muito menos o Minotauro. Esses personagens ela deixa pra mitologia grega e eles não cabem nas histórias que ela quer contar.
Ela caminha na sua direção e você sabe que é ela porque treme. Treme mesmo que ela esteja de tênis de corrida ou salto agulha, tremeria mesmo se ela estivesse descalça. Você sente peso e ela se sente leve. Sente que tirou um peso grande das costas ou, se ainda não tirou, vai tirar em breve. A grande vantagem de ser direta é essa: não perder tempo com o que poderia ser. Ou é, ou não é. Não tem 8 ou 80, e ela também não aceita um 40.
Tem quem diga que a vida não é bem, preto no preto e branco no branco, mas quem disse que você precisa definir as coisas assim? Ela é a prova viva de que você pode colorir o mundo do jeito que quiser, com um balde de tinta ou giz de cera, desde que saiba como quer pintá-lo. E se depender de outra pessoa pro mundo dela ter cor, ela se adianta e tira a prova dos nove sem deixar que alguém faça malabarismo com a vida dela. Porque uma hora cai, ela diz, e só quem pode equilibrar a vida sou eu.
Se ela gosta, ela liga no dia seguinte. Se ela gosta mais ainda, ela vai pra cama e ai dele (ou de ti) se acharem alguma coisa sobre ela. Se a cantarem e ela não quiser, é não na cara e sai fora, amigo, porque você tá me incomodando. E você vai perceber se ela gostar de você porque ela vai dizer com todas as letras que te quer – e que não quer também. Há quem goste e quem não goste disso. Particularmente eu acho incrível a forma como ela lida com as vontades e se põe em primeiro lugar. Mas quem sou eu pra achar alguma coisa se ela sabe que a dona do mundo dela é… ela.
Uma vez perguntaram à ela o porquê da pressa e ela disse que não é pressa, é que a gente se acostumou muito a dar voltas e mais voltas quando tudo o que a gente quer sempre esteve ali na frente. E depois que aprendeu isso, deixou de se importar com o que pensariam ou com o que ela mesma julgaria errado. O importante era não perder tempo pra ser um pouco mais feliz. E então ela foi. Foi em linha reta e dizem por aí que ela tem sido muito mais feliz do que antes era, quando ainda colocava os outros, a culpa e um monte de obstáculos à frente dela.