segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

CHEGA DE INVENTAR SAUDADE. VAMOS AMAR DE NOVO


Como deixar de amar alguém? Como aprender a dizer adeus? Pois é, toda vez que um romance acaba, quando fomos nós os deixados para trás ou se terminamos porque não dava mais certo ou porque o momento não era para ser, e mesmo assim ainda gostamos da pessoa que partiu, é como se o jardim da nossa alma tivesse repentinamente todas as suas flores arrancadas e no seu solo rachado restassem nada mais que as saudades que não sabemos como e nem onde replantar para voltarmos a viver.
Talvez, porque dar atenção ao que nos faz falta e machuca e muitas vezes não compreendemos, paramos nossa vida e passamos a viver no automático, como “acordar, trabalhar e dormir”, para não termos que pensar em mais nada.
Mas, quando estamos sozinhos, deitados em nossa cama à noite, em nosso lençol limpo e macio, na cama grande e vazia, ouvindo o silêncio inquieto, vendo o teto branco e infinito e pensando nas lembranças guardadas em caixas, dobradas em prateleiras da memória, outras vezes esquecidas nos gavetas da indiferença, vem aquele desejo de sentir de novo o perfume das rosas e dos lírios no canteiro do nosso amanhecer.
Então todas as perguntas sem respostas invadem silenciosas pelo vão da porta do nosso quarto escuro. Temos que abrir mão de nossas saudades? Como desamar alguém? Há como aprender isso? Acho que não, mas podemos tentar.
Proponho voltar a viver sem medo do escuro do quarto vazio. Levantar da cama e encarar a vida como mais um dia, e parar de achar que só porque a pessoa que partiu não voltará que nosso mundo acabou. Não! Temos tanto a fazer. Além de construir em nossos trabalhos, ainda temos um mundo a conhecer, lugares onde pessoas novas nos esperam e paisagens inimagináveis aos nossos olhos nos aguardam.
Não estou dizendo que devemos encaixotar os momentos felizes vividos as dois e jogá-los ao fundo do mar para serem esquecidos para sempre, até porque há histórias que simplesmente não se acabam, elas se eternizam dentro da gente. Acontece que depois que a pessoa amada partiu, ela deixa para trás uma quantidade enorme de filmes e fotografias que, se não aprendermos como separá-los dentro da gente, enlouquecemos.
Por isso, chega de borrar o filme de um passado tão bonito. Chega de pesar o que já deixou de ser. Olhe, neste quarto não há mais realidade, só retratos e a velha nostalgia do que foi aquele amor. Veja, a escova de dentes morreu sozinha sobre a pia na madrugada fria. Sim, já faz tempo que toda noite inventamos saudade!
Faremos um trato, juntos, brindemos a liberdade e seremos todos firmes nesse novo cântico do bem-querer. Mesmo com medo, sejamos contentes nas velhas saudades e sonhemos novas possibilidades até o amanhecer. Cantando, o coração deseja que o partido voe ao infinito, a lugares antes nunca idos, até pousar no jardim onde uma flor nascerá outra vez.
Para isso, mandemos a tristeza embora. Que ela percorra a maresia, siga sua sina, sopre essa vela, ore se preciso e chore se doer. Reme diante da maré alta, transforme fé em suas ondas, com toda sua honra e vontade de viver. Reme; avance; insista; mas não pare nunca. Vá até encher. Ao se transbordar, alivie suas dores e descubra suas cores, mas não demore muito porque a vida não espera. Desapegue e chega de inventar saudade.
Aqui, ficamos com a alegria. Com ela, plantaremos sementes nunca plantadas. Ouviremos canções inesperadas e dançaremos com a solidão. Criaremos palavras novas e faremos poemas com o impossível. Aos poucos, voltamos a viver. E nessa nova vida, já podemos ver que o amor é semente sonhando dentro do peito esperando sua nova flor nascer.


terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Amo-te Por Todas as Razões e Mais Uma


Por todas as razões e mais uma. Esta é a resposta que costumo dar-te quando me perguntas por que razão te amo. Porque nunca existe apenas uma razão para amar alguém. Porque não pode haver nem há só uma razão para te amar.
Amo-te porque me fascinas e porque me libertas e porque fazes sentir-me bem. E porque me surpreendes e porque me sufocas e porque enches a minha alma de mar e o meu espírito de sol e o meu corpo de fadiga. E porque me confundes e porque me enfureces e porque me iluminas e porque me deslumbras.
Amo-te porque quero amar-te e porque tenho necessidade de te amar e porque amar-te é uma aventura. Amo-te porque sim mas também porque não e, quem sabe, porque talvez. E por todas as razões que sei e pelas que não sei e por aquelas que nunca virei a conhecer. E porque te conheço e porque me conheço. E porque te adivinho. Estas são todas as razões.
Mas há mais uma: porque não pode existir outra como tu.

Joaquim Pessoa, in 'Ano Comum'

O Amor é...


O amor é o início. O amor é o meio. O amor é o fim. O amor faz-te pensar, faz-te sofrer, faz-te agarrar o tempo, faz-te esquecer o tempo. O amor obriga-te a escolher, a separar, a rejeitar. O amor castiga-te. O amor compensa-te. O amor é um prémio e um castigo. O amor fere-te, o amor salva-te, o amor é um farol e um naufrágio. O amor é alegria. O amor é tristeza. É ciúme, orgasmo, êxtase. O nós, o outro, a ciência da vida.
O amor é um pássaro. Uma armadilha. Uma fraqueza e uma força.
O amor é uma inquietação, uma esperança, uma certeza, uma dúvida. O amor dá-te asas, o amor derruba-te, o amor assusta-te, o amor promete-te, o amor vinga-te, o amor faz-te feliz.
O amor é um caos, o amor é uma ordem. O amor é um mágico. E um palhaço. E uma criança. O amor é um prisioneiro. E um guarda.
Uma sentença. O amor é um guerrilheiro. O amor comanda-te. O amor ordena-te. O amor rouba-te. O amor mata-te.
O amor lembra-te. O amor esquece-te. O amor respira-te. O amor sufoca-te. O amor é um sucesso. E um fracasso. Uma obsessão. Uma doença. O rasto de um cometa. Um buraco negro. Uma estrela. Um dia azul. Um dia de paz.
O amor é um pobre. Um pedinte. O amor é um rico. Um hipócrita, um santo. Um herói e um débil. O amor é um nome. É um corpo. Uma luz. Uma cruz. Uma dor. Uma cor. É a pele de um sorriso.

Joaquim Pessoa, in 'Ano Comum'

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

EU QUERO A SORTE DE UM AMOR LOUCO




Isso mesmo. Amor desatinado por amar sem limite, sem medida, sem preocupação com o saldo, nem nada mais. Quero um amor biruta e sem juízo, doido varrido, desses que toca a campainha no meio da madrugada, que faz juras de amor numa segunda-feira às seis da manhã. Que larga tudo, enfrenta o chefe e um trânsito insano só por algumas horas de grude.Quero anomalia sentimental, um amor amalucado, sem tempo ruim, que me leve pela mão em incríveis aventuras, que chute barreiras e gente do contra. Com sabor de sal e cheiro de maresia, procuro um amor viril e corajoso, que seja audacioso e vivaz, sem cabresto, correndo solto, desenfreado. Comigo. Junto à mim. Amor do tipo que arranca o fôlego e tira o prumo, que faz suar e tremer, que ferve o sangue e dá calafrios. Tudo ao mesmo tempo.
Nesses dias em que todos andam por aí sorrindo e desejando um feliz ano novo, eu quero mais é que me roguem um amor desvairado! Então, esperançosa, eu retribuiria de volta: Pra você também, um romance bem caprichado, nada equilibrado, com mil loucuras à dois! E assim, nossos desejos de amores delirantes e afoitos se multiplicariam feito coelhos na mata. É que de gente sã e comedida o mundo está cheio, e cheia, também, estou eu de tanto amor vazio.Ah, bem que poderia ser assim! Esse positivismo dentro de cada um de nós, dia e noite, vida afora, sem importar se é dia santo, feriado ou domingo chuvoso!
Confesso que estou esperançosa, afinal, se existe a tal da lei do retorno, já é hora de que um amor extraordinário cante à minha janela! Porque nunca fui de romper corações a torto e a direito, e ainda por cima, faz tempo que venho sendo premiada com modéstia amorosa.
Chega. Não quero sensatez, amor conciso, nem nada que caiba nas minhas mãos. Já não me contento com migalhas de afeto, súplicas de tempo e compromisso, nada disso. Mendigar carinho e atenção não preenche nenhum buraco, muito pelo contrário, só faz cavar mais fundo o poço do amor próprio. Quem vive com pouco, na expectativa do muito, sofre por sobreviver precariamente na miséria de sentimentos.
Nada mais sábio que o velho ditado: Antes só do que mal acompanhado. Porque se não for pra ser inteiro, que não seja. Não dá para ser consentido com as questões do coração. Pequenice não sustenta alma densa, gente intensa, amor de portão. É por essas e outras que eu digo e repito, que bato no peito e firmo o pé:
Eu quero a sorte de um amor louco!!!
(Revista Bula)

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

2015 pra frente!

Iniciando 2015 com pé direito, com sensações de coisas boas, vibrações positivas. 2014 foi ótimo, muitas mudanças e reviravoltas, mas sempre visando a minha felicidade e a felicidade de quem convive comigo. 
Esse ano que passou foi cheio de altos e baixos, trabalhei pra caramba  em um lugar com uma paisagem lindíssima mas eu não era feliz porque estava longe das pessoas que gostava de verdade, voltei pra minha terrinha, conheci uns parceiros novos"vamo time" e mantive os que já tinha "grupo de apoio". 
Me restabeleci de novo e segui em frente, nem tudo dava certo como eu esperava, mas nunca desistia. Agradeço ao apoio dos meus pai e amigos que sempre me apoiaram em todos os momentos e todas as minhas decisões e inesperadamente um mês e uns dias antes da virada do ano, conheci a pessoas que fez eu acreditar que algumas coisas dentro de mim ainda são possíveis, me mostrou e fez eu entender que gostar das qualidades é fácil, mas importante é aceitar os defeitos, aprendi a falar o que sentia e me expressar se não curtia algo, as adversidades que foram encontradas, foram vencidas, agora é só curtir e aproveitar o 2015.
Feliz ano novo e um ótimo 2015.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

EU SÓ DESEJO...



 


Todo mundo na virada do ano deseja amor, saúde, mudanças e etc...
 Eu Desejo só ser feliz.
 Todos pedem por dinheiro, sucesso profissional, aumento de salário... Eu quero que meu coração aumente seus batimentos por alguém.
Desejo ter de volta as sensações boas.
Quero sentir o peito apertar de saudade por ter visto a ultima vez ao levantar da cama, mesmo sabendo que são 15 hrs e tenho que trabalhar até as 19hrs.
Quero compromisso de ser feliz, quero a parceria de contar meus problemas e a honestidade de um abraço sincero.
Quero a amizade de ir para a balada à noite e sair da “casinha” pra comemorar uma vitória pessoal e também a tranquilidade de um jantar a luz de velas em casa, um filme, um vinho... Um cozinha, o outro lava a louça.
Quero uma critica construtiva quando eu errar, não uma palavra que me deixe pior.
Quero um carinho, um sorriso, um beijo do nada, uma  surpresa, uma superação de expectativas.
Quero a humildade de quando se assume que errou, quero o valor certo para as coisas feitas e que sejam reconhecidos, quando não damos o valor as coisas passam e vão embora, depois não adianta tentar corrigir. Como diria Cazuza: “Eu quero a sorte de um amor tranquilo. Com sabor de fruta mordida.”
Vamos começar 2015 com o pé direito, não errando como antes e mudando tudo aquilo que não nos acrescenta nem nos torna melhore.

Cada um sabe o que quer, pelo que luta e onde quer chegar, acredite que vai dar certo, tenha fé e transforme o “eu quero” em “eu tenho.”

Feliz Natal e um 2015 MARAVILHOSO.




MM 05/12/2014

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

O dia em que parei de dizer “Anda Logo”

filha de Rachel se diverte com sombra (Foto: reprodução / Hands Free Mama)
Quando você leva uma vida distraída, cada minuto precisa ser contabilizado. Parece que você está sempre riscando alguma coisa da lista, olhando para uma tela ou correndo para o próximo compromisso. E por mais que tente dividir seu tempo e atenção de um jeito ou de outro, por mais deveres que tente equilibrar ao mesmo tempo, o dia nunca dura o suficiente para correr atrás do prejuízo.

Essa foi minha vida durante dois anos de correria. Meus pensamentos e minhas ações eram controlados por alertas eletrônicos, toques de celular e agendas abarrotadas. Apesar de cada gota do meu sargento interior me mandar chegar a tempo para cada compromisso em meus dias superlotados, eu não conseguia.

Acontece que seis anos atrás, eu fui abençoada com uma filha calma e despreocupada, daquelas que sabe relaxar um pouco e aproveitar o mundo.

Quando eu precisava já estar fora de casa, ela escolhia uma bolsa e uma tiara com todo o tempo do mundo.

Quando precisava estar em algum lugar cinco minutos atrás, ela insistia em colocar seu bichinho de pelúcia na cadeirinha do carro e apertar o cinto de segurança.

Quando eu precisava pegar um almoço rápido no Subway, ela queria conversar com a velhinha que parecia sua avó.
filha de Rachel se diverte com flor (Foto: reprodução / Hands Free Mama)
Quando eu tinha 30 minutos para dar uma corridinha, ela queria que eu parasse o carrinho para acariciar todos os cachorros do caminho.

Quando eu tinha um dia cheio que começava às seis da manhã, ela pedia para quebrar os ovos e mexê-los bem devagarinho.
Minha filha calma e despreocupada foi uma dádiva para minha natureza workaholic e frenética, mas eu não enxergava isso. Não, nem de perto.

Quem leva a vida distraída está sempre usando viseiras, sempre de olho no próximo item da agenda. E tudo que não pode ser riscado da lista é pura perda de tempo.

Sempre que minha filha me forçava a desviar do meu cronograma, eu pensava “Não temos tempo para isso”. Por consequência, as duas palavras que mais dizia para minha pequena amante da vida eram: “Anda logo”.

Eu começava minhas frases com elas.
Anda logo, vamos chegar atrasados.

Eu terminava minhas frases com elas.
Vamos perder tudo se você não andar logo.

Eu começava meu dia com elas.
Anda logo e come esse café da manhã de uma vez.
Anda logo e vai se vestir.
Eu terminava meu dia com elas.

Anda logo e vai escovar os dentes.
Anda logo e vai dormir.
E apesar das palavras “anda logo” não fazerem nada para acelerar minha filha, eu as repetia ainda assim. Talvez até mais do que aquelas outras palavrinhas, “eu te amo”.

A verdade dói, mas a verdade cura... e me deixa mais próxima da mãe que quero ser.

Até que chegou o dia fatídico e tudo mudou. Havíamos acabado de buscar minha filha mais velha do jardim de infância e estávamos saindo do carro. Como a menor não estava saindo rápido o suficiente, a mais velha disse para a irmãzinha: “Você é tão lenta”. E então ela cruzou os braços e soltou um suspiro de frustração. Foi como me ver no espelho, e a sensação foi horrível.

Eu estava fazendo bullying com minha própria filha, pressionando e apressando uma criancinha que simplesmente queria aproveitar a vida.

Meus olhos se abriram. Eu enxerguei os danos que minha existência apressada estavam causando em minhas duas filhas.

Minha voz tremeu, mas eu olhei nos olhos da minha pequenininha e disse: “Desculpa por estar fazendo você se apressar tanto. Eu adoro que você faz as coisas com calma e queria ser mais parecida com você”.

Minhas duas filhas pareceram igualmente surpresas com minha admissão dolorosa, mas o rosto da mais novo tinha um brilho inconfundível de validação e aceitação.

“Prometo que vou ser mais paciente a partir de hoje”, eu disse, abraçando minha menininha de cabelo cacheado, que agora sorria com a promessa da mãe.

Foi fácil riscar a expressão “anda logo” do meu vocabulário. Mais difícil foi adquirir a paciência para esperar minha filha mais descansada. Para ajudar nós duas, comecei a dar a ela mais tempo para se preparar quando tínhamos que ir a algum lugar. Às vezes, ainda assim chegávamos atrasadas. Eram os momentos em que eu repetia para mim mesma que só teria mais alguns poucos anos de atraso, enquanto ela fosse jovem.

Quando saíamos para caminhar ou íamos ao mercado, eu deixava minha filha determinar o ritmo. E quando ela parava para admirar alguma coisa, eu tentava esquecer minha agenda e simplesmente assistia o que ela estava fazendo. Vi expressões no rosto dela que nunca tinha encontrado antes. Estudei as covinhas em suas mãos e o jeito que seus olhos se enrugavam quando ela sorria. Vi o modo como as outras pessoas reagiam quando minha filha parava para conversar com elas. Vi o modo como ela encontrava insetos interessantes e flores bonitas. Ela era uma Percebedora, e logo descobri que os Percebedores são dádivas raras e belas. Foi quando finalmente entendi que ela era um presente dos céus para minha alma frenética.

Fiz minha promessa de desacelerar quase três anos atrás, ao mesmo tempo que comecei minha jornada para me livrar das distrações diárias e entender o que importa de verdade. E viver em um ritmo mais calmo ainda exige um esforço consciente. Minha caçula é um lembrete vivo de por que preciso seguir tentando. Na verdade, poucos dias atrás ela fez uma coisa que me lembrou disso tudo de novo.

Nós duas havíamos saído de bicicleta para visitar uma banca de raspadinhas enquanto estávamos de férias. Depois que comprei o doce gelado para minha filha, ela se sentou em uma mesa de piquenique e ficou admirando a torre gelada que tinha na mão.

De repente, ela me olhou com o rosto cheio de preocupação. “Preciso correr, mamãe?”

Eu quase chorei. Talvez as cicatrizes de uma vida apressada nunca sumam por completo, pensei com tristeza.

Quando minha filha levantou os olhos, esperando para saber se poderia comer a raspadinha com calma, eu sabia que tinha uma escolha. Eu poderia ficar ali sentada, triste, pensando sobre o número de vezes em que apressei a vida da minha filha... ou poderia celebrar o fato de que hoje estou tentando ser diferente.

Escolhi viver no dia de hoje.

“Você não precisa se apressar. Demore o quanto precisar”, eu disse calmamente. Seu sorriso se abriu imediatamente e seus ombros relaxaram.

Nós ficamos sentadas lado a lado, conversando sobre coisa que meninas de seis anos que tocam ukulele gostam de conversar. Houve até alguns momentos em que ficamos em silêncio, simplesmente sorrindo uma para a outra e admirando a paisagem e os sons ao nosso redor.

Achei que minha filha ia comer a raspadinha inteira, mas quando chegou no finalzinho, ela estendeu uma colherada de cristais de gelo e suco docinho para mim. “Guardei a última mordida para você, mamãe”, minha filha disse orgulhosa.

Eu deixei o gelo gostoso matar minha sede e percebi que tinha feito o melhor negócio de toda a minha vida.

Eu dei à minha filha tempo... e, em troca, ela me deu sua última mordida e me lembrou que tudo é mais doce e o amor é mais fácil quando paramos de correr pela vida.

Seja...

Comendo raspadinha

Apanhando flores

Apertando os cintos de segurança

Quebrando ovos

Achando conchas na praia

Observando joaninhas

Passeando na calçada

Não vou dizer “Não temos tempo para isso”, porque é basicamente o mesmo que dizer “Não temos tempo para viver”.

Fazer uma pausa para aproveitar as alegrias simples do cotidiano é o único jeito de viver de verdade.

(Confiem em mim, eu aprendi com a maior especialista do mundo na área de como ter uma vida alegre e feliz.)

* O texto foi publicado originalmente no blog Hands Free Mama, de autoria da professora norte-americana Rachel Macy Stafford